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Descasamento do fluxo de caixa: e agora, José?

Descasamento do fluxo de caixa: e agora, José?
Renata Camargo
out. 24 - 8 min de leitura
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Se Drummond fosse escrever este artigo, ele poderia começar assim: e agora, José? O dinheiro acabou, o caixa negativo ficou, o pagamento atrasou, a imagem da empresa manchou, e agora, José?

Bom, mas como o autor não é Drummond e eu estou longe de ter o talento dele, eu começo perguntando a você: sua empresa tem ou já enfrentou o descasamento de fluxo da caixa? Se sim, como o financeiro/controladoria conseguiu sair dessa situação, ou quais são os planos para reverter o cenário?

Neste artigo, quero conversar com você sobre o que fazer quando há desequilíbrio no caixa. Vamos lá?

O que pode levar ao descasamento de fluxo de caixa?

Primeiro, caso você tenha dúvidas, o descasamento de fluxo de caixa ocorre quando há um desequilíbrio entre os valores e as datas de recebimento das vendas, e os valores e datas dos desembolsos que precisam ser feitos.

É o seguinte: imagine que sua empresa tenha vendido R$ 180 mil em um mês, sendo que as compras foram parceladas em 5 vezes e o valor correspondente entra em caixa na segunda quinzena. Acontece que todo início de mês seu negócio precisa honrar os compromissos com despesas fixas e variáveis.

Embora as vendas estejam boas e o lucro tenha até aumentado, seu caixa sempre fica alguns dias no negativo. Como consequência, sempre tem alguém que costuma estar no telefone negociando prazos e alguns pagamentos acabam saindo após a data de vencimento.

Quando o financeiro/controladoria faz o controle do fluxo de caixa, é possível sanar o descasamento com rapidez. Contudo, como muitas vezes o problema pode ser mascarado por um lucro positivo, muitas organizações demoram a agir. 

Mas o que causa o desequilíbrio do fluxo de caixa? Uma das razões principais são as vendas parceladas. Quando elas não são bem gerenciadas podem piorar o problema da falta de recursos para arcar com os compromissos financeiros. 

Outra possibilidade é um ciclo de caixa desalinhado. Simplificadamente, o ciclo de caixa é o tempo de pagamento aos fornecedores, colaboradores etc., até o recebimento do valor correspondente às vendas do produto final. Em outras palavras, se a empresa precisa pagar fornecedores, por exemplo, antes de ter entrada de dinheiro, terá um desequilíbrio no caixa.

O descasamento do fluxo de caixa pode ocorrer também pelos seguintes motivos:

  • Flutuações sazonais;

  • Gestão ineficiente de estoque;

  • Eventos inesperados;

  • Investimentos de capital.

O que fazer para evitar o descasamento de fluxo de caixa?

Observe que se uma organização está realizando investimentos e tem uma saída significativa de caixa em um curto período, isso pode não ser um grande problema. O que quero dizer é que o desequilíbrio do fluxo de caixa pode ocorrer eventualmente até mesmo em negócios saudáveis. 

O problema é quando mês a mês a situação se repete, pois pode refletir em atrasos nos pagamentos de colaboradores e fornecedores. E, como você pode imaginar, esse não é um cenário muito bom para a imagem da empresa.

Além disso, o descasamento do fluxo de caixa faz com que a empresa não tenha dinheiro para realizar investimentos e alavancar suas operações. 

Portanto, a fim de evitar esse desequilíbrio, separei três dicas:

1 - Faça um planejamento orçamentário

No planejamento orçamentário há um plano para as receitas, os custos, as despesas e os investimentos. Com ele, é também possível fazer uma previsão do que está por vir e, assim, ter informações para  tomadas de decisão mais embasadas.

É também com o planejamento que o financeiro/controladoria consegue trazer para o presente os gastos do futuro. Dessa maneira, os profissionais podem analisar possibilidades de:

  • Aumentar o prazo de pagamento aos fornecedores;

  • Reduzir os prazos de pagamentos das vendas;

  • Reduzir o prazo de estoque.

2 - Faça o controle de fluxo de caixa

Por meio do controle do fluxo de caixa fica mais fácil identificar problemas de descasamento. Isso porque ao controlar o caixa há um claro entendimento do ciclo financeiro e do ciclo operacional da organização. 

Para você entender:

  • Ciclo financeiro é o caminho do dinheiro, isto é, refere-se ao tempo de pagamento aos fornecedores até o recebimento do valor correspondente às vendas do produto final.

  • Ciclo operacional é o período (em média) entre os desembolsos e as entradas de caixa.

Entenda que ciclos financeiros reduzidos dão retornos maiores. Por isso, a dica é sempre procurar diminuir esse tempo.

Aqui não vou abordar a relação entre Ciclo Financeiro e Ciclo Operacional, mas se você quiser saber mais, escrevi um artigo sobre o tema aqui

3 - Entenda a necessidade de capital de giro 

Para isso, o primeiro passo é conhecer os prazos médios de pagamento e recebimento.

Quando falamos de prazo médio de pagamento, nos referimos ao tempo médio (em dias) entre a data da compra e o pagamento efetivo ao fornecedor. Já quando o assunto são os prazos médios de recebimento, se trata do tempo médio (em dias) entre a venda e o efetivo recebimento do dinheiro. 

Explicando com exemplos:

  • Uma empresa que vende parcelado em 3x sem entrada (0+1+1+1), tem um prazo médio de recebimento de 0% à vista, 33% em 30 dias, 33% em 60 dias e 34% em 90 dias.

  • Uma empresa que compra matérias-primas e paga seu fornecedor em duas vezes (1+1), tem prazo médio de pagamento de 50% à vista e 50% em 30 dias.

Após descobrir quais são esses prazos, é necessário calcular a Necessidade de Capital de Giro (NCG). Esse é um dos indicadores mais importantes, e diz respeito ao valor mínimo em caixa necessário para garantir que a operação (compra, produção e venda de produtos ou serviços) tenha recursos para pagar fornecedores e funcionários.

Para saber como é o cálculo da NCG, eu sugiro este artigo.

Minha empresa está com descasamento de fluxo de caixa, o que eu faço?

Até aqui você viu o que fazer para evitar esse tipo de problema. Mas se sua empresa está passando por um desequilíbrio no fluxo de caixa, é preciso agir.

Nesse cenário, duas ações são necessárias: apagar o fogo e evitar um novo incêndio. 

Apagando o fogo

Apagar o fogo significa resolver o problema (afinal, você não quer que os danos sejam ainda maiores, certo?). Para tanto, não tem segredo: é necessário aumentar o capital de giro. 

A maneira mais rápida é por meio da antecipação de recebíveis, que nada mais é do que antecipar o dinheiro que sua empresa receberá com os pagamentos dos clientes. Essa é uma prática bastante adotada, mas é preciso se atentar aos juros. 

A antecipação pode ser feita pelos bancos, factorings e FIDCs (empresas que administram o Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios).

Outras formas de aumentar o capital de giro são:

  • Empréstimos;

  • Financiamento empresarial;

  • Sale & Leaseback;

  • Conta garantida.

Evitando um novo incêndio

Agora que o fogo apagou, você não vai querer passar por um novo incêndio, certo? Por essa razão, é o momento de entender o que aconteceu e mudar o que for necessário. 

Uma dica é seguir as três ações compartilhadas no tópico “O que fazer para evitar o descasamento de fluxo de caixa?”. Além delas, lembre-se de monitorar com frequência o fluxo de caixa e identificar tendências.

Caso seu negócio seja sazonal, considere isso e prepare seu caixa para essas flutuações também. 

E você, tem alguma dica para dividir com a gente? Fique à vontade para compartilhar suas experiências nos comentários.



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