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Planejamento financeiro: pensando no pior cenário

Planejamento financeiro: pensando no pior cenário
Renata Camargo
nov. 21 - 8 min de leitura
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Na hora de elaborar o planejamento financeiro, um dos desafios que profissionais da área financeira enfrentam é saber como vai se comportar a economia. Por exemplo: e se houver retração de demanda? Ou, onde investir em caso de crescimento econômico/o que cortar na alta da inflação?

Para não ser pego de surpresa, o ideal é criar cenários e monitorar de perto o previsto x realizado. Nesse sentido, quero trazer aqui alguns insights sobre como agir em um cenário mais desfavorável, isto é, de redução da atividade econômica e/ou como fazer para se preparar para agir prontamente no caso de aumento das pressões financeiras. Confira:

1. Redução de custos

Essa é uma das primeiras coisas que vem à mente quando o foco é navegar em tempos de incertezas econômicas. No entanto, “cortar por cortar” pode ser um tipo no pé, o que significa que a redução de custos deve ser feita de forma estratégica. 

Na prática, tem a ver com manter um equilíbrio entre a otimização financeira e a manutenção da qualidade dos produtos e serviços, bem como a satisfação do cliente. 

Existem algumas abordagens de cortes de custo que podem ser adotadas:

  • Adaptação: ajustar-se às demandas dos clientes e do mercado com soluções mais enxutas.

  • Combinação: agrupar bens e serviços para reduzir custos.

  • Eliminação: remover produtos, processos e fluxos de trabalho desnecessários.

  • Otimização: simplificar processos e fluxos de trabalho para reduzir gargalos e redundâncias.

  • Substituição: utilizar produtos ou serviços mais baratos.

  • Reaproveitamento: adotar ferramentas, tecnologias e processos existentes de maneiras novas e que atendam às demandas.

Ainda, é importante visualizar as reduções no curto, médio e longo prazo. Dessa forma, sua empresa não correrá o risco de basear seus resultados apenas no curto prazo, que não durará muito e que poderá trazer consequências negativas no longo prazo.

2. Diversificar fluxos de receita

Uma estratégia para se adaptar a uma recessão é diversificar as fontes de receitas. Isso pode envolver a expansão para novos mercados, segmentos ou nichos, a oferta de novos produtos ou serviços e a criação de canais alternativos de distribuição.

O ideal é a empresa focar na diversificação de receita antes da crise (interna ou externa) bater na porta. Isso porque, ao diversificar, a organização reduz a dependência de um único mercado ou base de clientes, tornando-as mais resilientes e flexíveis.

3. Gestão de estoque eficiente

Manter um estoque enxuto e otimizar a cadeia de suprimentos é essencial para evitar o excesso de estoque e reduzir custos de armazenagem. Além disso, outra ação que pode melhorar a gestão de estoques é negociar prazos de pagamento e parcerias com fornecedores.

4. Avaliação contínua e monitoramento

Nada como as métricas-chave de desempenho (KPIs) para monitorar a saúde financeira da empresa (e preparar o time financeiro para fazer ajustes conforme necessário). 

Alguns KPIs financeiros que podem ser usados para o monitoramento:

  • Lucro líquido: é a medida final da rentabilidade da empresa após todas as despesas e impostos. Acompanhar o lucro líquido ao longo do tempo ajuda a avaliar a eficácia das operações.

  • Receita total: quantia total de dinheiro que a empresa recebe com suas vendas de produtos ou serviços. O crescimento da receita é um indicativo de expansão.

  • Margem de lucro bruto: indica quanto a empresa ganha com a venda de seus produtos ou serviços, após a dedução dos custos diretos de produção.

  • Margem de lucro líquido: é o lucro líquido como uma porcentagem da receita total. Ajuda a avaliar a eficiência operacional.

  • Fluxo de caixa operacional: mede a capacidade da empresa de gerar caixa a partir de suas atividades operacionais. É uma métrica crítica para avaliar a solidez financeira.

  • Índice de liquidez corrente: este índice compara os ativos circulantes com os passivos circulantes e ajuda a determinar a capacidade de a empresa cumprir suas obrigações de curto prazo.

  • Prazo médio de pagamento e recebimento: tempo médio que a empresa leva para pagar fornecedores e o tempo médio que leva para receber de clientes pode revelar a eficiência do ciclo de caixa.

  • Custo Médio de Aquisição de Cliente (CAC):  ajuda a avaliar o custo de adquirir um novo cliente, incluindo gastos com marketing e vendas.

  • Lifetime Value (LTV) do Cliente: mede o valor médio que um cliente traz para a empresa durante todo o seu relacionamento. Isso ajuda a priorizar estratégias de retenção de clientes.

  • Margem de contribuição: diferença entre a receita e os custos variáveis. É crucial para a tomada de decisões sobre preços e mix de produtos.

  • Ponto de Equilíbrio (Break-even): nível de vendas necessário para cobrir todos os custos e alcançar o zero de lucro. Contribui para avaliar a viabilidade de um negócio.

  • Taxa de crescimento de despesas operacionais: acompanhar o crescimento das despesas operacionais em relação à receita ajuda a manter o controle sobre os custos.

  • Taxa de Retorno de Investimento (ROI): serve para avaliar o desempenho de investimentos em marketing, publicidade ou expansão de negócios.

5. Resiliência financeira

"A resiliência financeira pode ser definida como a capacidade de uma empresa resistir e prosperar em meio a desafios econômicos. Os benefícios incluem o fortalecimento da estabilidade financeira, alcançar o crescimento sustentável e mitigar os riscos financeiros decorrentes da inação. A implementação de uma cultura de resiliência empresarial em toda a empresa exigirá recursos, tempo e conhecimento."

Extraí o parágrafo acima deste artigo (em inglês), que diz ainda: 

“As empresas frequentemente perdem de vista os riscos financeiros de longo prazo em favor de pressões e ganhos financeiros de curto prazo. A chave para minimizar as flutuações nas receitas, custos e rentabilidade é encontrar um equilíbrio entre os dois, mantendo uma forte posição de capital e liquidez.” 

Outra dica (agora minha) é construir reserva de caixa para lidar com períodos de incerteza econômica e garantir a capacidade de cumprir obrigações. E, claro, quando o assunto é resiliência financeira, não posso esquecer de mencionar a política de gerenciamento de riscos para proteger a empresa contra volatilidades financeiras.

Sobre isso, a Deloitte é clara: “a gestão do risco financeiro sempre foi fundamental para proteger o valor de uma organização. Estratégias resilientes de gestão de risco podem minimizar fontes de volatilidade. (...) Reavaliar a forma como a sua organização identifica, mede e gere o risco financeiro pode ajudá-lo a compreender a verdadeira natureza dos seus riscos subjacentes e como eles afetam o valor e a resiliência do seu negócio.”

Extra: análise de sensibilidade e análise de cenário

A análise de sensibilidade é um método que tem como objetivo entender o quanto o resultado será impactado se uma de suas variáveis for alterada.

Normalmente, nesse tipo de análise uma variável-chave é identificada e seu impacto nas métricas é avaliado à medida que essa variável é ajustada em diferentes cenários. As métricas podem ser: lucro, valor presente líquido (VPL), taxa de retorno e outras. 

Além da análise de sensibilidade, há ainda a análise de cenário. O que difere uma da outra é o escopo, pois na primeira é avaliado o impacto da alteração de uma variável por vez, ou seja, todas as outras são constantes. Já a análise de cenário estuda o efeito combinado da alteração de múltiplas variáveis ao mesmo tempo.

Tanto uma quanto a outra podem ajudar na hora de fazer o planejamento financeiro da sua empresa. Isso porque ambas ajudam os profissionais de controladoria e finanças a anteciparem situações que podem afetar o caixa, dando a eles insights de como agir caso essas situações realmente aconteçam. 

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O que você achou do que eu abordei aqui? Tem algo a acrescentar?



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